Não, não é pra ninguém estas palavras que arrebento, embora liberto de tais comiserações, ainda trago algum ranço de raiva ou descaso, puras lástimas, fortes apegos. Já não me movo pela casa, o quarto é o meu abrigo mais redentor, não almejo sinas nem estradas, apenas algum vento norte que entre pelas frestas alardeando algum presságio. Nenhuma sigla eminente, as senhas revelaram-se frágeis e deveras claras, não almejo o verbo mais intrínseco, não sei dos versos que esboço, meu nome é um amontoado de memórias e instintos, ao ponto de levar-me ao pé do mais poroso abismo, todos os perigos, uma noite escura. Agora mesmo ponho-me a dilacerar tais feridas, esquecer cada frase insuspeita, hesitar um poema perdido, por entre gavetas, bem no fundo do sem fundo das coisas que deixei para trás, a poeira sobre os livros, alardeando os dias e cada clima esperado, a fonte que deságua ininterrupta, segundos e sentidos que se rompem, sua noite é um embaraçar de suores e desejos, sonhos de brancas nuvens, infantis idealizações, príncipes e sapos, bucetas e pererecas, nenhum trafego comedido, tudo frio e um tanto desalmado, as putas fumando nos becos, os velhos catando quinquilharias, é o que lhes restam, é o que me cabe, já não vejo suas cores, cinzas de um diário popular, quase algum arroubo, uma espera bêbada, talvez um descanso – estaria repetindo? - qualquer distanciamento, ou breves lembranças, escuras e sórdidas, não assino abaixo, nem sequer existo. (vozes que enchem singelos balões, olhos que preenchem o vôo, a fuga repentina, o enjôo dos meses, logo, o ovo se parte, três ou quatro quimeras, um sorriso afável, o parto, o horário, eis o nascimento.)
Sexta-feira, Setembro 18
O parto
Não, não é pra ninguém estas palavras que arrebento, embora liberto de tais comiserações, ainda trago algum ranço de raiva ou descaso, puras lástimas, fortes apegos. Já não me movo pela casa, o quarto é o meu abrigo mais redentor, não almejo sinas nem estradas, apenas algum vento norte que entre pelas frestas alardeando algum presságio. Nenhuma sigla eminente, as senhas revelaram-se frágeis e deveras claras, não almejo o verbo mais intrínseco, não sei dos versos que esboço, meu nome é um amontoado de memórias e instintos, ao ponto de levar-me ao pé do mais poroso abismo, todos os perigos, uma noite escura. Agora mesmo ponho-me a dilacerar tais feridas, esquecer cada frase insuspeita, hesitar um poema perdido, por entre gavetas, bem no fundo do sem fundo das coisas que deixei para trás, a poeira sobre os livros, alardeando os dias e cada clima esperado, a fonte que deságua ininterrupta, segundos e sentidos que se rompem, sua noite é um embaraçar de suores e desejos, sonhos de brancas nuvens, infantis idealizações, príncipes e sapos, bucetas e pererecas, nenhum trafego comedido, tudo frio e um tanto desalmado, as putas fumando nos becos, os velhos catando quinquilharias, é o que lhes restam, é o que me cabe, já não vejo suas cores, cinzas de um diário popular, quase algum arroubo, uma espera bêbada, talvez um descanso – estaria repetindo? - qualquer distanciamento, ou breves lembranças, escuras e sórdidas, não assino abaixo, nem sequer existo. (vozes que enchem singelos balões, olhos que preenchem o vôo, a fuga repentina, o enjôo dos meses, logo, o ovo se parte, três ou quatro quimeras, um sorriso afável, o parto, o horário, eis o nascimento.)
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Deixaram-se levar...
Sábado, Agosto 15
Restos de cigarros no asfalto bruto
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Quinta-feira, Agosto 13
Labaredas
Labaredas de fogo
ondas submersas, gozos
alvos estrelados, raros
bárbaros, soldados rasos
acidentes sem percursos
saliências no saguão de trem
a voz do filho que partiu e a noite
a ânsia o anzol a linha o desalinho a falta de rima e a rima
a flama de um mar vermelho
vestido de escarlatina.
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1 Deixaram-se levar...
Domingo, Dezembro 7
Quem delira sem ter febre
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Segunda-feira, Novembro 17
Enquanto isso
O mar, inteiro.Tampouco ando, nem tento.Paro e sinto, rio.O dia é cinza e gosto, também faz frio agora.E docemente as ondas, e levemente as curvas e toda energia. Faz tempo não te escrevo, Lúcia. Me falta um tanto. O livro, a cama, o cheiro, a xícara. Me basta o céu às vezes, descortinando os dias. Eu tenho uns medos meus, alguma aresta a ser podada, um susto. Mas nada de tempestades. Canalizando naturezas, e revelando lumes. Um tempo adentro, sem demoras porque não há esperas. Apenas ciclos, ventos, climas, brilhos. E ainda resta o mar.
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13:56
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Quinta-feira, Julho 3
Inst-antes.
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Quarta-feira, Março 26
Berê
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