quinta-feira, setembro 22

Diz

bate um vento no rosto
estou sozinho
só o vento no rosto diz
sopra as feridas
compõe amores
na sala um verso, um sexo, um gim
lembro dos detalhes
dos instantes mudos
palavras escritas em giz
bate um vento no rosto
estou sozinho
só o vento no rosto diz

Inclinação

inclinação ao seu corpo
devoração dos seus poros
aclamação das suas ancas
toda emoção daquela nossa dança

preta
estamos juntos
e vamos ganhar o mundo
seja
sempre serena e bela
acalme minha pele
e pernas

sou teu
só teu
meu eu
confunde ao teu
e somos um

um brado
um apogeu
entre nós dois
nada é comum

terça-feira, setembro 20

Rumo ao sol

remanso
mandisão
clamor
um tanto de amor pra dar
nao vou rimar nada com dor
aqui não há lugar
to extirpando dissabor
e rumo ao sol vou caminhar
compondo versos de louvor
livre das pragas
a vida é rara

segunda-feira, setembro 19

Destino

pela exatidão
de um gesto
e um resto de chão
pra andar
rupturas
jeitos
trecos
uma jura pra guardar
mundo afora só loucuras
solavanco, sol a pino
por mais flores no caminho
que este seja o destino

Senhor do tempo

refazendo planos
destruindo enganos
regando a flor na janela
lendo os meus sonhos
um clamor tamanho
ainda tenho saudade dela
vezes falo alto
vezes só silêncio
o meu eu é meu abrigo
ao senhor do tempo
todo sentimento
que seja brando comigo

domingo, setembro 18

Dobre este verso

dobre este verso
ponha no bolso
cada palavra
um esboço
de tramas viris
gestos hostis
verso que eu
nunca fiz

sexta-feira, setembro 16

Crua

sobre as perdas
ruas escuras
escassos meios
ruptura
de brados
freios
as conjunturas
me cortam ao meio
a vida é crua

segunda-feira, setembro 12

Um verso

um verso compassado
um verso tardo
um verso ribanceiro
um verso certeiro
um verso de milongas
um verso as tontas
um verso timoneiro
um verso beijo

Porvir

amanheceu
e o silêncio constratava com o cheiro do café
o cigarro
a idéia esmera
o seja o que Deus quiser
uns trocados furados
bilhetes antigos
versos num bolso jeans
o passado lavrado
e rememorado
vou rumo ao futuro
ao porvir

quinta-feira, setembro 8

Gosto

ébria é a vida
cíclica
onírica
pra ser sorvida
embebida
mergulhada
e na saliva
sentir o seu gosto
no acalanto
inventar cirandas