bate um vento no rosto
estou sozinho
só o vento no rosto diz
sopra as feridas
compõe amores
na sala um verso, um sexo, um gim
lembro dos detalhes
dos instantes mudos
palavras escritas em giz
bate um vento no rosto
estou sozinho
só o vento no rosto diz
quinta-feira, setembro 22
Diz
Postado por
Clóvis Struchel
,
21:11
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Deixaram-se levar...
Inclinação
inclinação ao seu corpo
devoração dos seus poros
aclamação das suas ancas
toda emoção daquela nossa dança
preta
estamos juntos
e vamos ganhar o mundo
seja
sempre serena e bela
acalme minha pele
e pernas
sou teu
só teu
meu eu
confunde ao teu
e somos um
um brado
um apogeu
entre nós dois
nada é comum
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Clóvis Struchel
,
15:12
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Deixaram-se levar...
terça-feira, setembro 20
Rumo ao sol
remanso
mandisão
clamor
um tanto de amor pra dar
nao vou rimar nada com dor
aqui não há lugar
to extirpando dissabor
e rumo ao sol vou caminhar
compondo versos de louvor
livre das pragas
a vida é rara
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Clóvis Struchel
,
09:36
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Deixaram-se levar...
segunda-feira, setembro 19
Destino
pela exatidão
de um gesto
e um resto de chão
pra andar
rupturas
jeitos
trecos
uma jura pra guardar
mundo afora só loucuras
solavanco, sol a pino
por mais flores no caminho
que este seja o destino
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Clóvis Struchel
,
18:44
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Deixaram-se levar...
Senhor do tempo
refazendo planos
destruindo enganos
regando a flor na janela
lendo os meus sonhos
um clamor tamanho
ainda tenho saudade dela
vezes falo alto
vezes só silêncio
o meu eu é meu abrigo
ao senhor do tempo
todo sentimento
que seja brando comigo
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Clóvis Struchel
,
08:44
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Deixaram-se levar...
domingo, setembro 18
Dobre este verso
dobre este verso
ponha no bolso
cada palavra
um esboço
de tramas viris
gestos hostis
verso que eu
nunca fiz
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Clóvis Struchel
,
18:05
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Deixaram-se levar...
sexta-feira, setembro 16
Crua
sobre as perdas
ruas escuras
escassos meios
ruptura
de brados
freios
as conjunturas
me cortam ao meio
a vida é crua
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Clóvis Struchel
,
12:42
0
Deixaram-se levar...
segunda-feira, setembro 12
Um verso
um verso compassado
um verso tardo
um verso ribanceiro
um verso certeiro
um verso de milongas
um verso as tontas
um verso timoneiro
um verso beijo
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Clóvis Struchel
,
12:24
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Deixaram-se levar...
Porvir
amanheceu
e o silêncio constratava com o cheiro do café
o cigarro
a idéia esmera
o seja o que Deus quiser
uns trocados furados
bilhetes antigos
versos num bolso jeans
o passado lavrado
e rememorado
vou rumo ao futuro
ao porvir
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Clóvis Struchel
,
12:01
3
Deixaram-se levar...
quinta-feira, setembro 8
Gosto
ébria é a vida
cíclica
onírica
pra ser sorvida
embebida
mergulhada
e na saliva
sentir o seu gosto
no acalanto
inventar cirandas
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Clóvis Struchel
,
08:28
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Deixaram-se levar...
quinta-feira, setembro 1
Abstrair
tento um modo
envolto em glória
de partir ao meio seus brios
e romper sem freio a angústia
vejo um aceno
aceno de volta
é sereno
me dizem histórias dos tempos
em que lamúria era extinta
decepção não havia
o céu azul doía os olhos
de tantos lumes, clímax, energias
uma dose, um cigarro, uma lira
abstrair será a ação do dia
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Clóvis Struchel
,
15:35
0
Deixaram-se levar...
sábado, agosto 27
Sente
tento
lá e cá
vou sempre
vezes ausente
sente
sente
sente
sente
sente
sente
vivo
num lapso
relampago
silêncio e grito
todas as cores do mundo
todas as cores do mundo
te encontrei
pirei
levei fundo
acertei
na maré
vamos juntos
tem sempre mais um assunto
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Clóvis Struchel
,
12:55
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Deixaram-se levar...
segunda-feira, agosto 15
Dave
nao ver
e nao sentir o toque
quem sabe o conhaque
quem sabe o rock
saber se tá azul o céu
para pintar quadros em tons pastéis
sorver versos e esperanças
tentar não lembrar da sua dança
querer o novo novíssimo
resistir, reexistido
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Clóvis Struchel
,
09:08
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Deixaram-se levar...
sábado, agosto 13
As faltas
as faltas
dobram o coração
e alma
desfazem alusões
não acalmam
discorrem profusões
dilatam
inventam outra versão
não censurada
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Clóvis Struchel
,
09:55
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Deixaram-se levar...
quinta-feira, agosto 11
Para um amor de plutão
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Clóvis Struchel
,
19:33
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Deixaram-se levar...
Marfim
tropeços
nacos
grãos
apreços
domingos de sol
distinto rito
ensejos
tantas lembranças
cirandas
de sartre
bate uma saudade
de um tempo sem fim
entre prédios, transes, trastes
esbarro com uma raridade
marfim
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Clóvis Struchel
,
10:20
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Deixaram-se levar...
quarta-feira, agosto 10
O que me resta
No auge dos pormenores
Fincando os pés na terra
Remontando ideias
Fazendo festa sozinho
Do desgaste e do marasmo
As ondas quebram nas pedras
Nem afago, abraço, palavra
A imensidão é o que me resta...
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Clóvis Struchel
,
08:53
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Deixaram-se levar...
segunda-feira, agosto 8
O gosto
de certo a sina
a luz divina
de certo o anseio
dobra-me ao meio
de certo o verso
lido e exposto
de certo o gosto
extremo da sílaba
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Clóvis Struchel
,
08:45
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Deixaram-se levar...
segunda-feira, agosto 1
ensolará-la
uma tentativa de
explorar
brotar
minar arte
sem declínio
sem porque
apenas culminar
canto de pássaro
fim de tarde
arrepiar pêlos, sê-los
um rio passa em minha sala
pra devorar cada sílaba
transpor o sol
ensolará-la
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Clóvis Struchel
,
11:17
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Deixaram-se levar...
noturno
também falo da lua
sou noturno com coturno e jaqueta preta
faço limo oriundo
pra escorregar línguas sangrentas
cada drinque um insight, um clímax
cada trago revela a sigla
um montante de artilharia
pra plantar jardins de orquídeas
Postado por
Clóvis Struchel
,
11:16
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Deixaram-se levar...

