domingo, janeiro 28

Sereia Urbana

Gritos num dilúvio
de suores, de suores
murmúrios, os melhores
desde sua adolescência

Era morena
seus seios cabiam nas mãos
pequenos, redondos
profundos, os melhores
repletos de malemolências

Dançava pra ele
despia-se feito uma sereia urbana
falava de conhaque e de umbanda
pedia grana, queria jóias
Jóia rara a morena-sereia

Se encontravam na Lapa
noites quentes, noites quentes
num quarto abafado, no fundo de um beco
amavam-se com fome de amor
ele mais que ela, mas isso já não importava
ele a amava

Conforme passaram-se os dias
monotonia tomou conta da sereia
[urbana
já não queria carro, já não queria grana
pensava em samba, em boêmia
ele a queria, ela se foi

Nas noites insanas
a procurava pelos bondes
pelos bares, pelos becos
em todos os lugares
Morena-Sereia de seios redondos
partiu, não deixou carta, nem beijos, nem planos

Enlouqueceu de amor por ela
amava a sereia com todo o clamor
nas pedras do Arpoador, jogou-se no mar
e quis nadar com a sereia
brincadeira louca
morte mais insana
a sereia sambava e sorria no asfalto
era uma sereia-urbana

6 comentários:

Mellinda*K. disse...

Adorei a "sereia urbana" e os versos são lindos.
Poderia até me classificar uma... muita pretensão!
Pode ser...

BJinhos melados.

mary disse...

Linda Sereia Urbana... Uma melodia com cheiro de mar e amor... ;)

Beijosss

diovvani disse...

Muito bom camarada... Olha, tenho impressão de já ter lido esse poema em outro lugar - se não estão em curto meus neurônios ... acho que no blog da Mary Morena.

AbraçoDasMontanhas.

Clóvis disse...

Você leu no "Blog de Sete Cabeças", na semana de convidados, onde sete poetas insanos foram convidados para deixar os seus poemas por aqueles ares.
Fui convidado pela Mary Morena, amiga querida, companheira de poesias e evoluções.


Abraço, man!

fabio jardim disse...

um poema narrativo muito bem enredado. num tom de crônica poética (se é que isso existe, rs), já que possui alguns detalhes sobre a cidade do rio. voltarei para conferir o que está por vir. abraços!

Mari disse...

oi! adoro visitas inesperadas. bonito isso de se saber que não é acaso quando se chega a algum lugar.
pois saiba que pro lugar também nunca é acaso quando alguém chega!

volta, viu?
sempre.

gostei do poema! mas prosas me conquistam sempre, e a do post anterior é muito bonita!
você escreve bem. e a descrição é linda!

beijo beijo beijo