segunda-feira, julho 12

O frio e a frigidez

Insone, busco a palavra que apraz o desassossego, a agonia impetuosa, a ardorosa fuga sobre o apego, a ventura inacabada, o destino em reles trapos, desatino que impera a madrugada que observo pela janela, passantes esquivos, estranhos, malditos, caminhantes que se esmeram abstraindo o frio e a frigidez, eu cá elucido alguns fardos, o desamor cru e palpável, esvaziando a cama, esvaecendo os faros, o aroma do café e do cigarro, e o corpo emaranhado de desaventuras, fragilizado e entregue às assolações presentes, cada distorção, e raspo brevemente o insolente e despudorado espasmo de verdades incontidas, jamais ditas, expressas em dubiedades que inundam lençóis e tapetes, releio poemas, bulas de remédios, bilhetes, acaricio sutilmente cada densa linha, e costuro aos descompassos dez compassos abstratos, minimalistas, incomuns, num papel antes amassado, liberto de entendimentos, previamente desprezado, todo ele reticente, ...................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... o sentido é o que habita nas vagas idéias, que nada dizem, não afagam, não imprimem, sequer existem, nenhuma trama ou qualquer moldura de frases meticulosas, isto não vale coisa alguma, isto é, o que restou de nós.

2 comentários:

Aline Capistrano disse...

Olá poeta adorei virei mais vezes.
Abraço.

Alex Pinheiro disse...

Eita!

Sempre que te leio lembro de Saramago e sua "cegueira" Ô.Ô

Esse lance de texto-menstruação é coisa pra poucos,,, o seu fica bom -.0

Já eu,,, não arrisco, haha

Abraços e desabafadas invenções!