sábado, junho 4

Grafites

Com sono
De dias idos
Por becos esquivos
Liricos
Durmo e sonho
Com becos esquivos
Líricos
Acordo
Sigo matutino
Jamais findo
Este verso contínuo

Dentro da sua blusa

A poesia é uma solidão confusa
Parece que tem alguém
Dentro da sua blusa
Pegar um trem
Não tem vintém
Partir, chegar
Perto de um rio
Em algum lugar
Morrer de frio
Sentir saudade
Dar um sumiço
Se embebedar
Ter fé, ter par
Não ter declínio
Aquilo, isto
De Deus eu não duvido
A poesia é o emoldurar da plenitude
A poesia é isso


Ser teu

O frio
Que dá na nuca
Quando suas mãos
Perpassam
Delírio que continua
Iluminados pela lua

O clima
A conversa solta
Dos corpos
Nenhuma roupa
Indecentes palavras no ouvido
Instinto ferino
Preciso

Vem olhar o mar
Comigo
Eu vou te contar
Estrelas
O romance definido
Do amor
E do que seja

Vem emoldurar
Meus versos
E iluminar meus breus
Vem to cada vez mais perto
De ser teu

sexta-feira, junho 3

Versos nossos

Robusto
Astuto
As vespas
Já não ladram
Rancores
Não me abalam
Ternura
É jardim de praça
Conjuntura
Milenar
Que arde
Presságios
Me arrebatam
Cata-vento
Seca o sal
Do tormento
Da minúcia
Do argumento
Da labuta
As coisas gurias
Me elucidam
Alquimias
Brados
Asas abertas
Um timbre rouco
Dum soul
Se esmera
O beck
O pileque
A gargalhada
Em alarde
No apogeu
Destes ares
Há versos nossos
Por toda parte

Hit

O que impregna-se, lampeja, desfaz discórdia. Soberbas inglórias. A cura da culpa. No ressoar de um brado, cíclico e cintilado, rompendo a aspereza, tomo um drinque, ponho um hit e danço em cima da mesa.

Clóvis Struchel

Durante

O cheiro
Que arrepia o pêlo
A fala
Mansa
Emoldurada
O lance
Fixo
Constante
Toda aresta
Cada nuance
O lapidar do amor
Constante
Nos dois o mar
O horizonte
O seu olhar ali
Defronte
No beijo
Sou mais feliz
Durante

Clóvis Struchel

Olhar

Os olhos fitam
Contemplam
Enumeram
Vislumbram
O prumo
A métrica
Os olhos atentos
Enxergam
Dilatam
Fluem
Desnudam
O mirar
Meus olhos
Gostam
De te olhar
Meus olhos
Gostam
De te olhar
Meus olhos
Gostam
De te olhar...

Postes e muros

Chego perto. Olho o verso. Cheiro a pétala. Plenitude reverbera. No jardim silábico rego cada palavra: aurora, penduricalho, fulgor, sentimento, presságio, néctar, etc. Planto no chão a trama envolta. Hão de brotar ressonâncias, ritmos, climas. E vou colher com as mãos, sentir cada aresta, nuance, detalhe. Poema pra emoldurar, se colar, para quem for, pra quem passe, impera, plana, invade, em postes e muros dessa cidade.

Clóvis Struchel

Estado mar

Num estado mar
Tais oscilações
Naufrágios
Piratas
Ressacas
Nos pés
Grãos e conchas
Num estado mar
Marés
Manhãs
Com neblina
Estágio sargaço
Uma musa marítima
Versos nadadores
Tao molhados
Mergulhados
O pescador
Que vai navegar
Lançar sua rede
Labutar
Frases cintilam
Vozes confirmam
Vibram
Vindas de lá
Num estado mar
Estado mar
Mar

quinta-feira, junho 2

Conjuntura

A sensação de feriado
De um luck strike mentolado
A densidade
O rastro
A culpa
O demorado
O breve
O nunca
Sobressaltar
Sublimado
Gestos do sol
No telhado
Momentos sós
E calado
Ou junto muito
Ilhado
Na ruptura
Do ódio
Na conjuntura
Do signo
O universo
E seu ciclo
O ter
O ser
O ter sido
Variações
Climáticas
Ligo a tevê
Desgraças
No ardor
Da estrada que tange
Uma dor ainda urge
Laços
Cláridos
Sísmicos
Tempo é ido
É contínuo
Contexto e mais uma estrofe
A trama evapora-se

O mar ao lado

Incauto
O mar ao lado
Fumaças
Declínios
Outrora
Um poema
Que dilate
O impasse
Tempestade
Que rega
Meu corpo
E floresce
Enaltece
Prevalece
O verso preciso
Conciso
Das mãos
Que jamais
Se perdem
Das almas
E intempéries
Do brado
Do laço
Da pele

Espécie de transe

Sua nuance
Tange meu rosto
Em instantes
Irrompe os rompantes
Drinques
Papos
Delirantes
O sumo
O néctar
Defronte
Nós dois olhando
O horizonte
Sua mão cola na minha
E eu desconcertante
Te beijo sem freio
Durante
Clímax
Instinto
Relance
Brado
Espécie de transe

quarta-feira, junho 1

Verso amassado

Conforme marasmos desfazem-se, informo sobre o luar. Indago, reverbero, ando assim meio esquivo jeans blusa branca tão adentro das multidões. E de alquimias e lumes transcendentes, um rouxinol até me emudece, um verso amassado refaz toda a trama. No clímax, apogeu, pista plana, momento, o meu caminhar desnuda-se no movimento.

Imagina

Imagina a aurora
Uma roda gigante e pipoca
Toda aresta em volta
Nosso beijo
Toda rebordosa

Imagina a trama
Nuances de girassois
Nossa cama
Rompantes de rouxinois
Tudo clama
Pelos detalhes de nós
E chama

Imagina
A lira
A lida
Límpida
Imagina
Imagina

Imagina
Em par
Avenida
Só nos dois
Imperando o clima
Imagina
O fulgor
A magia
Imagina
Imagina

Rascunho oriundo de cafés

Como qual fosse tormenta, voraz, trovões arrebentam. Frenético movimento. Turvos tambores dilatam. A ressonância cintila, o tal clamor cessaria, dúvida e dor romperiam, no ar fulgor de impecilhos. Numa avenida esquiva, atravessado e com versos vivos.Na flama, lida, contínuos dias, clamo por planos de calmaria.

Ritmado

Não espere da poesia
Se não houver
Folia...

Companhia

É uma questão obtusa, de preenchimentos ébrios, contemplando nuances, reverberando latitudes. O mar bravo bate nas pedras, pensamento difuso, um amor obscuro, incauto, denso. Turvas brumas, um cigarro, miragens, fluxos, o tilintar das idéias fluídicas, horizonte laranja, uma crença, uma fé que valha, no seguimento das horas, na contemplação dos Deuses, na ruptura de breus, no corromper das condutas dúbias. Divago, mais um cigarro, o barulho do vento é o silêncio que escuto. E diz, proclama, dita. O rumo, o prumo, a lida. Fito em coisas miúdas, gurias. E tão somente só, sinas minhas, quando o compor da vida é sua melhor companhia.

terça-feira, maio 31

Manhã com neblina

A manhã com neblina e suores dos amantes, que ora salivantes, se mordem com fome. Uma canção pop. Café, seda, frestas. Fragmentos das suas arestas, sorvendo o clima que impera. A lira, a lida, a festa. O verso que se rebela. As maiores verdades da vida estão escritas na testa.

Clóvis Struchel

segunda-feira, maio 30

Rascunho noturno

Não seremos vorazes, os impasses cessaram, no romper das nuances, tange, aviva, dá cor aos olhos. E ainda que chova, monumentalmente, mesmo que houvesse música, daquelas únicas, não haveria beijo, transa impetuosa, tão somente alguma conversa ligeira, dois pedidos no bar perdido: uma cerveja e um suco de manga.

Haikai

Goteja
Na folha morna
Lágrima seca
Adorna