segunda-feira, junho 13

O fotógrafo

Depois dos tropeços ébrios, infante desfiz trovões. Após densidades, adversidades, sigo na avenida incólume. Vejo, eternizo, dou um clique. Passo, há um passo há um grafite. Lembro das nuances de umas ancas. Faço, aprimoro, a luz é branda. Fragmentos de outros carnavais, raridades protegidas de tais temporais. A imensidão que fito, o silêncio de um vento leste, soberbas postas a mesa, conhaques, cigarros acesos, no jornal a economia é um erro, não ligo a tv faz tempo, leio Manoel, Leminski, Chacal, tô mais pelo mar que pelas tabelas numéricas, três cliques, quatro cliques, cinco, a lida, a labuta, o tecer da vida, o entardecer há de ser tão lírico que haverá de ser emoldurado...

Clóvis Struchel

Música

Aflorar meandros
Dissipar o ódio vândalo
Resolver anseios
Estar sempre inteiro
E nao mais partir ao meio
Culminar auroras
Esquecer as horas
Ser par
Ganhar vintém
Abraçar alguém
Voar
Ir mais além
Desfazer desdém

Só quero amor
Love amour
Amore
Levo um verso no bolso
E pétalas no outro
Só quero aloha
Liebe ni hefe
Niedfe
Corações que se erguem

domingo, junho 12

PrayOrlando

O ódio cego
Que dilacera
E ensanguenta
Bizarrice cinzenta
A quem só quer dizer teamo

terça-feira, junho 7

Garrafas

Pra aprimorar nuances que caibam no fulgor dum presságio, dar tons de auroras incandescentes no intuito do verbo. Pra sorver os instintos ferinos, bascos, enumerar cada mosaico abstrato. Pra culminar girassois e quimeras, fulgurar do sentido seu brio mais cintilado. E no torpor enaltecido vislumbrar o encanto pleno, deixar soar verso sereno, oriundo, que aninhe o tempo e o casulo, o breu, o obscuro, dar luz ao lúdico. Intuito. Lançar garrafas nos mares do mundo.

Clóvis Struchel

Ainda

Para o romper do tédio imponho uma inclinação impropério divago um som sem mistério deflagro um tom de impérios. Para a exatidão do sentido refaço o movimento contido explodo extrapolo os brios de certo aprimoro e sigo. Para a nuance instante preciso aciono um regar de margaridas exponho sonho seco as feridas movo refaço o novo ainda.

Clóvis Struchel

Do verbo Delírio

Ode a Manoel de Barros

A rima
Que unifica
A ordem lírica
Dos fragmentos de lumes
Trepidações de costumes
Do valoroso rimar
Claridao
Clamor
Condutas
Oscilações oriundas
Do verbo em si delirar

segunda-feira, junho 6

Findou

Acabou
A arruaça
O dissabor
A desgraça
Sim, findou
A ressaca
O fervor
Que se instala
Terminou
Toda a tara
Trepidou
Cessara
Nunca mais
Tanto faz
O romper
Da toada
Vai daqui
Por ai
Pega uma estrada
Nao sou teu colibri
Sai da minha sala

Marasmos

Do marasmo
Fato
Rastro
Das medidas
De um conhaque
Um momento
Um tom relapso
Preenchendo
Um peito farto
Refazendo os mesmos marasmos os mesmos marasmos os mesmos marasmos

Imagem

Percalços
Divergindo o verso
Incauto
Todo o movimento
Dos carros
Arde
Nostálgico
Um jazz enaltece meus poros
Cilindros
De tramas
De empórios
Visão de senão
E além mar
Vistoso
Fragmento
Sórdido
Trôpego
Os zelos tão nossos
Malogros
Desfazem-se
A arrebatar
No denso fulgor
Na rotina
Café
Cansadas retinas
Milagres em par
Elucidam
Cá

domingo, junho 5

Verve

A verve
O fluxo
Lépido
O instante
Que precede
O sexo
Fulgores
Suores
Febres
E que seja eterno
Enquanto breve

sábado, junho 4

Grafites

Com sono
De dias idos
Por becos esquivos
Liricos
Durmo e sonho
Com becos esquivos
Líricos
Acordo
Sigo matutino
Jamais findo
Este verso contínuo

Dentro da sua blusa

A poesia é uma solidão confusa
Parece que tem alguém
Dentro da sua blusa
Pegar um trem
Não tem vintém
Partir, chegar
Perto de um rio
Em algum lugar
Morrer de frio
Sentir saudade
Dar um sumiço
Se embebedar
Ter fé, ter par
Não ter declínio
Aquilo, isto
De Deus eu não duvido
A poesia é o emoldurar da plenitude
A poesia é isso


Ser teu

O frio
Que dá na nuca
Quando suas mãos
Perpassam
Delírio que continua
Iluminados pela lua

O clima
A conversa solta
Dos corpos
Nenhuma roupa
Indecentes palavras no ouvido
Instinto ferino
Preciso

Vem olhar o mar
Comigo
Eu vou te contar
Estrelas
O romance definido
Do amor
E do que seja

Vem emoldurar
Meus versos
E iluminar meus breus
Vem to cada vez mais perto
De ser teu

sexta-feira, junho 3

Versos nossos

Robusto
Astuto
As vespas
Já não ladram
Rancores
Não me abalam
Ternura
É jardim de praça
Conjuntura
Milenar
Que arde
Presságios
Me arrebatam
Cata-vento
Seca o sal
Do tormento
Da minúcia
Do argumento
Da labuta
As coisas gurias
Me elucidam
Alquimias
Brados
Asas abertas
Um timbre rouco
Dum soul
Se esmera
O beck
O pileque
A gargalhada
Em alarde
No apogeu
Destes ares
Há versos nossos
Por toda parte

Hit

O que impregna-se, lampeja, desfaz discórdia. Soberbas inglórias. A cura da culpa. No ressoar de um brado, cíclico e cintilado, rompendo a aspereza, tomo um drinque, ponho um hit e danço em cima da mesa.

Clóvis Struchel

Durante

O cheiro
Que arrepia o pêlo
A fala
Mansa
Emoldurada
O lance
Fixo
Constante
Toda aresta
Cada nuance
O lapidar do amor
Constante
Nos dois o mar
O horizonte
O seu olhar ali
Defronte
No beijo
Sou mais feliz
Durante

Clóvis Struchel

Olhar

Os olhos fitam
Contemplam
Enumeram
Vislumbram
O prumo
A métrica
Os olhos atentos
Enxergam
Dilatam
Fluem
Desnudam
O mirar
Meus olhos
Gostam
De te olhar
Meus olhos
Gostam
De te olhar
Meus olhos
Gostam
De te olhar...

Postes e muros

Chego perto. Olho o verso. Cheiro a pétala. Plenitude reverbera. No jardim silábico rego cada palavra: aurora, penduricalho, fulgor, sentimento, presságio, néctar, etc. Planto no chão a trama envolta. Hão de brotar ressonâncias, ritmos, climas. E vou colher com as mãos, sentir cada aresta, nuance, detalhe. Poema pra emoldurar, se colar, para quem for, pra quem passe, impera, plana, invade, em postes e muros dessa cidade.

Clóvis Struchel

Estado mar

Num estado mar
Tais oscilações
Naufrágios
Piratas
Ressacas
Nos pés
Grãos e conchas
Num estado mar
Marés
Manhãs
Com neblina
Estágio sargaço
Uma musa marítima
Versos nadadores
Tao molhados
Mergulhados
O pescador
Que vai navegar
Lançar sua rede
Labutar
Frases cintilam
Vozes confirmam
Vibram
Vindas de lá
Num estado mar
Estado mar
Mar

quinta-feira, junho 2

Conjuntura

A sensação de feriado
De um luck strike mentolado
A densidade
O rastro
A culpa
O demorado
O breve
O nunca
Sobressaltar
Sublimado
Gestos do sol
No telhado
Momentos sós
E calado
Ou junto muito
Ilhado
Na ruptura
Do ódio
Na conjuntura
Do signo
O universo
E seu ciclo
O ter
O ser
O ter sido
Variações
Climáticas
Ligo a tevê
Desgraças
No ardor
Da estrada que tange
Uma dor ainda urge
Laços
Cláridos
Sísmicos
Tempo é ido
É contínuo
Contexto e mais uma estrofe
A trama evapora-se