sábado, agosto 27

Sente

tento
lá e cá
vou sempre
vezes ausente
sente
sente
sente
sente
sente
sente
vivo
num lapso
relampago
silêncio e grito
todas as cores do mundo
todas as cores do mundo
te encontrei
pirei
levei fundo
acertei
na maré
vamos juntos
tem sempre mais um assunto

segunda-feira, agosto 15

Dave

nao ver
e nao sentir o toque
quem sabe o conhaque
quem sabe o rock
saber se tá azul o céu
para pintar quadros em tons pastéis
sorver versos e esperanças
tentar não lembrar da sua dança
querer o novo novíssimo
resistir, reexistido

sábado, agosto 13

As faltas

as faltas
dobram o coração
e alma
desfazem alusões
não acalmam
discorrem profusões
dilatam
inventam outra versão
não censurada

quinta-feira, agosto 11

Para um amor de plutão

soube por um alguém rouco
tropeçei nos brios
fiz de mim imtepertivo
no ar eu fui frio
eu não perguntei mais nada
o que me bastava era o tido
e nas faltas dos bilhetes
escrevo um verso, insisto

Marfim

soberbas
tropeços
nacos
grãos
apreços
domingos de sol
afinco
distinto rito
ensejos
tantas lembranças
cirandas
traços de godard
de sartre
bate uma saudade
de um tempo sem fim
entre prédios, transes, trastes
esbarro com uma raridade
marfim

quarta-feira, agosto 10

O que me resta

No auge dos pormenores
Fincando os pés na terra
Remontando ideias 
Fazendo festa sozinho
Do desgaste e do marasmo
As ondas quebram nas pedras
Nem afago, abraço, palavra
A imensidão é o que me resta...

segunda-feira, agosto 8

O gosto

de certo a sina
a luz divina
de certo o anseio
dobra-me ao meio
de certo o verso
lido e exposto
de certo o gosto
extremo da sílaba

segunda-feira, agosto 1

ensolará-la

uma tentativa de
explorar
brotar
minar arte
sem declínio
sem porque
apenas culminar
canto de pássaro
fim de tarde
arrepiar pêlos, sê-los
um rio passa em minha sala
pra devorar cada sílaba
transpor o sol
ensolará-la

noturno

também falo da lua
sou noturno com coturno e jaqueta preta
faço limo oriundo
pra escorregar línguas sangrentas
cada drinque um insight, um clímax
cada trago revela a sigla
um montante de artilharia
pra plantar jardins de orquídeas

domingo, julho 31

Caminho

labirintos
instintos ferinos
absinto
punhados de mar
um presságio
uma brisa que sopra
uma ponte para atravessar
energias fluídicas, sísmicas
ligações de alma e coração
eu caminho deixando pra trás
rancor, ódio, toda contramão

Brados

Pra salientar os brados, e romper com os senões. Mirações, afincos, andanças. Solavancos, saudades, cicatrizes. Na mansisão que me pulsa, dois rouxinóis cantam lépidos, a vigorar tais presságios. De tal louvor, todo o clímax. Defronte ao mar minhas ânsias. As ondas levam consigo. No ressoar das cirandas, o ensinamento preciso. Da palavra, o verbo. Do pão, o trigo.

sábado, julho 30

Caminho

labirintos
instintos ferinos
absinto
punhados de mar
um presságio
uma brisa que sopra
uma ponte para atravessar
energias fluídicas, sísmicas
ligações de alma e coração
eu caminho deixando pra trás
rancor, ódio, toda contramão

Sábado

manhã que tece
um tímido sol aparece
memórias, cafés
e presságios
solitude em vida
aos sorrisos dados
aos chopps, cigarros
filmes abstratos
as flores que vemos
perfume exalado
um samba que toca
um discurso
um brado
e esta vontade latente
de morar dentro de um sábado

sexta-feira, julho 29

Lavra

toda tempestade
lava
lavra
salienta
por vezes
esvai muralha
em frente a uma tela branca
escuto relâmpagos na sala
fugaz e contumaz no entanto
reviro anseios dos meus ancentrais
neblinas cigarros acesos
a vida cabe inteira num cartão-postal
amores nunca serão presos
a iberdade é parte das juras de fé

quinta-feira, julho 28

mosaicos

Entretanto, conforme as tempestades dão lugar as brisas, e todo o escarcéu para limpar as folhas, culminam neste intrépido fulgor de letras que formam mosaicos e entendem-se feito alquimia, coisa de natureza. Na lira, condutas retas, densidades, ânsias, conquistas de três aplausos. Fragmentos de versos enchem o copo, e de verbos ébrios componho um brado, uma cor. Destas andanças, rotinas, cláridos fatos contínuos, enxerga quem tem olhar de encanto. E nas vibrações, energias, algumas palavras são guias: luz, sabedoria, compaixão, fé. As verdades mais cruas se materializam, o verso quente que jorra e inunda, germinando presságios, regando a terra em que piso. Nuances, gestos, olhares que encontram olhares. A palavra que cessa o caos. Um poema transita e incita. Meu poema é de artesão que molda até a última saliva. Pra culminar, fluir o climax. Desbravar porteiras e casulos e becos estreitos.

Reluzia

tem rock
tem um punhado de rabiscos
defronte copos na mesa no chão
as tais angústias esvão-se
cigarros preenchem o silêncio repentino
logo seguido por um foda-se ou um estou contigo
nas venturas desmedidas de uma frota
de transes nuances flores vermelhas ruas com bares
e no rompante certezas dúbias
a vida é um quadro abstrato
com horóscopos e cartomantes
vertentes lentes em foco
refúgio glorioso o da poesia
lá onde o breu reluzia
e havia um pouco de choro enquanto sorria

inimagináveis

boas coisas
temos uma arvore
e umas cervejas
onde poderemos estender uma rede
pegar uma caixa térmica cheia
e ficar papeando sobre coisas inimagináveis

Noturno

Trago densidades
de uma noite insone
cigarros
bebidas
um jazz rouco amassiando os ouvidos
um comentário torpe
para as paredes
e este quadro dadaísta a desdenhar meus brios
meus malogros
e sinas
as tais alegrias de sábado
os risos desmedidos
desejos incontidos
miragens na janela
um fato
um naco
fragmento de vida
alguém que passa
alguém que para
e mija num poste
cachorro ladra
neblina e brumas
o telefone em silêncio
noturno transponho
rascunhos
tramas que esqueço
enquanto durmo


ìndico

Pra mim infante
Passos flutuantes
Raridades ao mar
Montante
Cismas, rimas
Frontes
O meu horizonte
Tende a azular
Na lira
Rua desmedida
Rotas corroídas
Os grafites dão flor ao caminho
Lírico
Na nuance e vívivo
Contumaz impirico
Pronto a voar
No Índico

quarta-feira, julho 13

Tzara

Faros e as estradas escuras a noite faróis e discos voadores fulgores rompantes dissabores no romper de ânsias e muralhas torpores sabores e histórias soberbas e cerejas dos bolos e afinco presságio frontes flores