domingo, junho 17

Viva!

Minha poesia não quer crítica
(não quer ser crítica!)
não quer lirismos nulos
não quer aplausos
não quer caderno B
não pretende ser cult
nem hype, nem soft
não quer demências
não quer ser blasê.
Minha poesia não quer rimar
(e rima!)
tem pernas próprias, caminha...
tem vida vivida ao relento, suor
conhaques, sorrisos, leituras, loucuras.
Minha poesia não quer assinar
primeiras páginas
não quer tecer paixonites vãs
não quer visitar Paris
prefere a Lapa, minha poesia.
Minha poesia dispensa cerimônias
não frequenta saraus e seus geniais verseios gélidos
(enquanto os gênios não pensam na punhetinha ante-sono,
articulam bobagens com ar lord inglês).
Minha poesia quer cessar os mandamentos ray society
quer distinguir nuances e manchar aquarelas inteiras.
Minha poesia quer ser menino, moleque, livres pensamentos
feito brisa fresca entrando pela fresta entreaberta
feito mar azul visto ao descer uma estrada
feito amor revivido ao dobrar uma esquina
feito adeus sofrido no cais
(oscilações, cores distintas, tantos sentires...).
Minha poesia quer ser agora, quer ser presente
minha poesia só quer viver...

3 comentários:

Janaína disse...

Manifesto contundente. Linhas fazem o poeta e o transformam. Manifesto.

diovvani mendonça disse...

Arejadas palavras meu caro!!! Gostei muito. Tanto que me arrisco em dizer que, tenho coragem de me equilibrar em suas linhas
como se fossem minhas -
sem nehnhum medo de cair. Acho que você sacou a parada: "poesia, é um barato que voa - doa a quem doer".

AbraçoDasMontanhas.

Mary disse...

Sua poesia é!

:)

Beijos tantos!