quarta-feira, julho 25

impulso

inclino o meu corpo em direção a seus olhos, sedentos por uma vodka e um cigarro, reclamando do calor e do trânsito e da vida e da demora de tudo; inclino ainda mais o meu corpo, enquanto articulas sobre as notícias e o trabalho e o aluguel absurdo e o preço da gasolina; inclino o meu corpo em extensa demasia, enquanto comentas o filme em cartaz, o livro que lera, as piruetas do seu cão, a canção da novela; inclino intensamente o meu corpo, você indaga-se a respeito da política, da meteorologia, da gastronomia, da filosofia, dos seus dissabores; inclino plenamente o meu corpo num só impulso em direção a seus olhos, e desabo cruamente no chão.Você percebe-me inteiro, palpável, acessível, vulnerável; retraio com destreza o meu corpo acanhado, para que já não me vejas...

20 comentários:

Juliana Pestana disse...

Sabe quando não tem o que dizer? Pq está tudo escrito e seria redundando ficar aqui traduzindo as metáforas desse tão bem elaborado texto...

Mas mesmo assim eu quis me fazer presente nesse comentário...

Janaína disse...

Clóvis!
perdoe-me pela demora... Tive dias bem alucinantes... envolvida com um congresso de antropologia. Colocarei minha leitura dos teus textos em dia. E volto para tecer meus simples comentários!

Ivã Coelho disse...

Belo texto. Gostei bastante do seu espaço, poeta. Esse texto em especial me tocou... acho que estou vivendo o perigo da entrega neste momento de minha vida.

Saudações.

Fartas letras.

abçs

alex pinheiro disse...

Cuidado! Piso molhado!
Queda e holocausto
Contratos firmados
Entrega palpável
acessível
e vulnerável... mas deixe-se mostrar,,, um mico que vale a pena...

Abraços e diabéticas invenções!

Oswaldo disse...

olá, é muito bom estar num blog onde a gente se corresponde.Também
tento compor algumas melopéias, canções e acalantos, e sua forma de escrever mostra desde então que assim como escreves deves compor bem também.Belos jogos de palavras e um etilo bem característico de escrever, algo que eu sempre tenho buscado e ainda não sei se tenho conseguido.

Line disse...

adorei!
parece tao... intimo!
mto bom, mesmo.
voltarei voltarei voltarei.
adoro qm escreve como voce.
=*******

SAMANTHA ABREU disse...

você não imagina como imagino essa cena.
e eu imagino.
muito, até.

adorei.
beijos

Ariane disse...

me deixei levar pelo impulso de suas palavras... belo isto aqui!

beijos ensolarados

Angelo disse...

Lindo, Clóvis... Lindo e voraz.
Beijo, meu garoto prodígio...

Felipe Dib disse...

legal, diferente, gostei
gosto de diferencial =P

Mônica Montone disse...

eis o erro: mostrar-se acessível.... não deveria, mas, é assim.... aff

beijos, querido

MM

diovvani mendonça disse...

Bela descrição, da vida que pulsa na intimidade.
AbraçoDasMinas.

Marla de Queiroz disse...

Menino incrível...
Textos impecáveis, a fúria dos dedos que acompanham as sapitucas do coração.
Cê sabe que eu fico aqui, besta com a conexão.
E sempre tão impressionada.

Seu bonito!

Janaína disse...

já os coloquei em dia! Agora peço mais!

Carol Montone disse...

direto ao ponto...adoro...um dia quero ser assim objetiva...
bom estar acessível é sempre um risco...que vale ...eu acho.....
beijos
Carol Montone

Jefferson P. disse...

jah estive neste mesmo lugar... e ainda retraio c/ destreza o meu corpo acanhado...

Mônica Montone disse...

Boa semana, cherry

beijocas

MM

Bruna Maria disse...

Clóvis, Clóvis, que belíssimo texto! Veja só, você fala de algo inerente a tantas pessoas mas que muitas delas calam: somos percebidos vulneráveis, acessíveis, quando permitimos determinadas proximidades. talvez por isso nos distanciemos tantas vezes e acabamos perdendo grandes oportunidades na vida.

Beijos!

rato disse...

xoudebola

rato disse...

nossa!!!!!!