sexta-feira, agosto 17

Dos bilhetes de Lila - Parte I

das agruras dos dias, seus torpes olhares, de desdém ou vislumbre - nuances apenas -,num instante brilhantes noutro somente cinzas, espasmos de tantos desejos, que já não habitam este espaço, vagueiam descompassados em olhares terceiros, plantas que morrem por excesso d’água, versos reescritos por erros de concordância, mas metáforas não tocam o corpo como eu te toquei, metáforas são só metáforas, distantes, difusas, ambíguas e frágeis - você. “a maldição do poeta seria tocar o mundo por metáforas...” . e assim, sem fim nem início, termino o que de mim não começou num breve impulso, sentimento que em mim pairou por todos os segundos, urdidos de delírios, presságios, silêncios e ardores. no tilintar dos sentires, no mínimo vão de lábios que se desencontram, vozes que cessam sem beijos, amores entendem-se findos, corações se põem à procura de casulos, despetalados, buscando o que um dia flor, tornou-se fardo...

10 comentários:

SAMANTHA ABREU disse...

putz, que lindo isso!

 jefferson p. disse...

putz, ...

Clóvis, quer saber?! faço das palavras de samantha... as minhas! rsrs

abrç

mariana disse...

adoro você quando prosa. já disse né? adoro. gosto de frases que valem muito, tudo. você as tem. bonitíssimo, como diria a sua mãe.
;)

Pollan disse...

quanta forma. muito belo.


a metáfora é o vicio de linguagem de qualquer poeta.

Pedro Pan disse...

, bilhetes, entre delírios e vislumbres...
, "mas metáforas não tocam o corpo como eu te toquei," é magistral.
, abraços meus.

alex pinheiro disse...

As plantas que morrem por excesso d'água diz da verdade, apesar da metáfora,,, quando tudo se torna um fardo, tristes e belas palavras,,, interessante como num excerto fizeste caber tanto sentimento,,, e que venha a "parte II"... Cumprimentos!

Abraços e outras invenções!

Mariana O'Connor disse...

Você sabe o título do poema da Lucinda?

Que texto bom esse seu.

Beijos

Mônica Montone disse...

Quando vira fardo, eu parto..........

beijos, querido

MM.

Marla de Queiroz disse...

Moço,
Você tá escrevendo absurdamente e num ritmo maravilhoso.
Leio assim, num fôlego só e depois releio porque fico sempre com esse gosto de quero mais...
Orgulhosa de vc, meu paceiro poético.
Todos os beijos meus.

eliz pessoa disse...

Oi Clóvis!
Agora que conheço o blog, vou passar e senti-lo. Beijão!
eliz